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PRÍNCIPE KHALID AL-FAISAL BIN ABDUL AZIZ AL-SAUD
Sua Alteza Real Príncipe Khalid Al-Faisal bin Abdul Aziz Al-Saud e a Província de Asir
O Príncipe Khalid Al-Faisal bin Abdul Aziz Al-Saud foi nomeado Governador da Província de Asir em 1968 pelo Rei Faisal, no seguimento de uma recomendação do então Ministro do Interior e agora Guardião das Duas Mesquitas Sagradas, o Rei Fahd bin Abdul Aziz Al-Saud (que reina desde 1982). A região remota no canto sudoeste da Arábia Saudita é dominada por uma cordilheira que faz parte da mesma falha geológica que a Grande Fissura Africana, a qual emerge na outra margem do Mar Vermelho. O Príncipe Khalid Al-Faisal recorda as suas primeiras impressões daquela zona: 'Assim que cheguei a Asir encontrei muitas características que tiveram o efeito de me apaixonar pela região à primeira vista. As gentes de Asir eram nobres, corajosas e virtuosas. A própria natureza de Asir era cativante com serranias verdes e férteis e uma grande e densa florestação, as suas plantações planas e em socalcos, o seu clima maravilhoso que combina um verão temperado nas terras altas com um inverno brando nas planícies costeiras. As cores variadas das nuvens misturam-se e transportam nos seus interiores a chuva de verão como se tivessem um encontro marcado que não podem falhar. A chuva lava as caras das cidades e aldeias. O sol brilha novamente produzindo uma visão de beleza que se segue à chuva. Os leitos dos rios flúem, a vegetação verde renasce nas suas margens e toda a zona é inundada de lindas flores coloridas.
No final da década de 60 Asir era uma região impenetrável com centenas de comunidades isoladas espalhadas no seu interior, sem quaisquer infra-estruturas. O Príncipe Khalid Al-Faisal viajou pela Província falando com as populações para conhecer as suas necessidades, e ficou surpreso com a variedade da sua cultura e com a beleza da sua panorâmica. E concluiu que ambas continham a chave para o futuro da região: 'Não havia nada a desenvolver excepto o turismo disse ele r ecentemente. 'Era a única ferramenta que eu tinha para trabalhar. O potencial estava à vista por todos os lados. Era tremendo. Pensei então que tínhamos que preservar a essência de Asir, desenvolver os serviços e as instalações, e atrair as visitas. Riram-se de mim quando sugeri o desenvolvimento do turismo, mas agora o potencial turístico é o que anda na boca de toda a gente. Temos milhões de peregrinos que visitam os Lugares Santos de Meca e Medina todos os anos. O nosso trabalho é persuadi-los a permanecer mais tempo e visitar outros locais do Reino. E há tanto para ver e experimentar. Asir é uma das regiões agora preparadas para receber turistas estrangeiros. Planeamos durante anos e já temos a infra-estrutura'. O recentemente inaugurado Instituto de Turismo e de Ciências Hoteleiras Príncipe Sultan em Abha é a primeira instituição académica do género no Médio Oriente.
O que se conseguiu nos últimos 25 anos é surpreendente. O Príncipe Khalid Al-Faisal superintendeu a construção de 422 km de estradas, que ligam os planaltos às terras baixas, bem como 580 pontes e 172 túneis. Abha, a capital da Província, foi transformada numa estância muito popular para os sauditas passarem fins-de-semana ou para férias de verão quando se pretende escapar dos rigores das temperaturas do interior, com hotéis modernos, tais como o Abha Palace, e vivendas em locais de grande beleza. Também ai existe, nas serranias pitorescas de Al-Soudah, um centro de conferências internacional que é um dos maiores no Médio Oriente.
Em 1981, o Príncipe Khalid Al-Faisal estabeleceu o Parque Nacional de Asir, o único parque nacional da Arábia Saudita, com uma área de 450,000 hectares que se estendem desde o Mar Vermelho, a oeste, até ao deserto, a leste. A zona de Al-Gurrah, a sudeste de Abha, é uma area típica do parque. Muito na moda com os citadinos para piqueniques de fim de tarde, com panorâmicas espectaculares e pores de sol com cores sensacionais, é objecto de severas medidas ecológicas para conservação do ambiente, no sentido de evitar a exploração ou danos nas áreas abrangidas, e para as manter no seu estado natural. É considerado crime o abate de árvores, e não é permitida a plantação de espécies não indígenas.
Quando o Príncipe Khalid Al-Faisal primeiro visitou Habalah, uma aldeia agrícola tradicional situada num alcantil sobranceiro a campos de cultura em socalcos e a um extenso vale, fez-se transportar em helicóptero por não haver acesso por estrada. Esta aldeia esteve separada do resto do mundo durante séculos: os fornecimentos e os visitantes necessitavam ser arriados por meio de cordas do planalto superior. Os aldeões disseram ao Príncipe Khalid que precisavam de energia eléctrica, duma escola, de instalações de saúde, e de outros serviços, mas não era de facto possível providenciar tais instalações num local tão precário. Assim, em 1979, fez construir a Aldeia Rei Faisal em Wadiavn, ali perto, com 60 habitações para os aldeões. A 'Adeia Suspensa, contudo, foi conservada intacta e é agora uma das atracções turísticas mais visitadas de Asir, e chega-se ali por um teleférico com 600 metros de comprimento. Alguns dos aldeões trabalham no local, e contam aos turistas como era o extraordinário modo de vida do passado. O Príncipe Khalid Al-Faisal tem incutido nos habitantes a necessidade de reter as características distintas da sua comunidade simultaneamente com o processo de modernização. A Aldeia Khairat Al-Faisal, por exemplo, na zona Hareeda das planícies Tihama a sul, foi acabada de construir em 1998 como parte de um projecto de desenvolvimento sócio-económico na região. Foram melhoradas estradas, água, energia e comunicações, e construídas 100 habitações, tendo tudo sido financiado a fundo perdido pela Fundação Rei Faisal. A nova aldeia inclui escolas, mesquitas, lojas, um mercado central, um centro de saúde e instalações distritais e municipais. Os aldeões têm firmemente mantido os seus costumes e hábitos tradicionais.
O conhecimento das diferentes correntes da cultura da região está a ser fomentado em Asir por centros de atracção tais como a Aldeia Tradicional Dhafir bin Hamsan em Kahmis Mushayt, a cerca de 25 km a leste de Abha. O visitante tem a possibilidade de conhecer os diferentes tipos de habitação existentes em Asir: de pedra nas serranias, de pedra e barro em Abha, de lama nas planícies, de madeira nos vales, e em tendas de Beduínos no deserto. Os interiores coloridos, os têxteis decorativos, e os ofícios, e ainda a música e danças tradicionais pouco devem à influência de traço islâmico. Esta é uma região que tem desenvolvido ao longo dos séculos a sua cultura nativa singular, com muitas e subtis variações. O Príncipe Khalid Al-Faisal também assegurou que Asir figure em proeminência no Festival Al-Janadiriya em Riade, uma das maiores exposições de cultura árabe no mundo. Uma das atracções permanentes do festival é a Aldeia do Património de Asir. E refere: 'Os visitantes do Festival demonstram interesse em conhecer as culturas de gentes diferentes, e apreciam visionar a história da arquitectura regional e a forma como os estilos arquitecturais se apropriam ao ambiente e ao clima que são tão evidentes em Asir. Deste modo os visitantes têm ao seu dispor uma visão completa da história, geografia, actividade social, cultura e originalidade da região.
O Príncipe Khalid Al-Faisal tem também estado muito ocupado em Asir para criar as condições exactas e a atmosfera necessária para que prosperem artistas, poetas, escritores, compositores e músicos. Na capital da região estabeleceu o Clube Literário de Abha, o Festival de Canto de Abha, o Prémio Abha (que inclui um prémio especial para excelência cultural), e a Aldeia de Artes Visuais Al-Miftaha, situada num bairro antigo da cidade. Esta contém ateliers para artistas e alojamento (grátis), galerias para exposições, lojas, e uma livraria. Também tem um teatro moderno, um dos primeiros na Arábia Saudita, com capacidade para 3000 espectadores para espectáculos de música, canto e poesia. Também deu o seu próprio exemplo como poeta. Caracteristicamente, a sua poesia é coloquial ou folclórica, conhecida como poesia Nabati, e não clássica. É a poesia vernácula do povo e os seus poemas simbolizam sentimentos pessoais profundos relativos às pessoas que lhe são queridas, e bem assim quanto às gentes e à Província que governa:
Disseram eles, vai viajar? Mais viagens não, disse eu
Alguns gostam de viajar, eu gosto de coisas diferentes
Disseram eles, onde é o teu verão? O melhor sítio, disse eu
O meu verão é em Abha, casa dos bons e dos elevados
Aqueço com a dança das suas nuvens quando voam
E quando sopra a brisa e a ave canta
( Disseram Eles )
Historicamente a poesia, na península árabe, tem sido uma das manifestações de arte mais importante. O poeta ainda é hoje, na sociedade árabe o orador cujo trabalho comenta e comemora os acontecimentos. O poema é o 'testemunho' e a história dos árabes está contida na sua poesia. O Príncipe Khalid Al-Faisal dá enorme valor a este património e ele próprio continua a tradição. Escreveu diversos cantos sob o pseudónimo Da'im Al-Saif. Em 1994, compôs a Ópera da Unificação para a abertura do Festival Al-Janadiriya em Riade, e compôs recentemente o Canto da Glória quando o Reino da Arábia saudita celebrou o seu centenário. Foram publicados, desde 1985, três volumes da sua obra poética, e uma selecção deles, Poemas por Khalid Al-Faisal foi publicada em árabe e em inglês em 1996. As suas recitações públicas de poesia árabe antiga e dos seus próprios poemas atraem enorme público.
As Pinturas de Asir por Sua Alteza Real Príncipe Khalid Al-Faisal bin Abdul Aziz Al-Saud
O atelier do Príncipe Khalid Al-Faisal bin Abdul Aziz Al-Saud é na sua residência privada que tem com maravilhosos jardins com vista sobre a cidade de Ahba. É espaçoso, bem iluminado e sente-se que é um lugar de recolhimento. Ali as mesas estão empilhadas, para fácil referência, com livros e revistas de arte, catálogos de exposições, biografias e volumes de poesia. 'A minha pintura' refere, 'era, e ainda é, uma pausa muito bem-vinda nos meus deveres oficiais. De algum modo é uma espécie de desporto espiritual durante o qual esqueço todo o resto, descanso e pinto'. Começou a pintar na Escola de Modelos em Taif, um colégio interno fundado pelo Rei Faisal, que combina educação de qualidade com diversas actividades extra curriculares e com disciplina férrea: 'Adorei muito a pintura e expunha as minhas obras com as de dois outros alunos. Mas interrompi essa actividade quando fui estudar para os Estados Unidos da América e para o Reino Unido no final dos anos 50 e princípio dos anos 60. Quando fui nomeado Governador de Asir em 1968, fiquei impressionado com a incrível beleza daquela zona. Estava à procura de algo que me ocupasse os meus tempos livres, e assim retomei a minha pintura, mas era apenas um passatempo ocasional. Só no princípio dos anos 80 é que comecei a levar a pintura mais a sério. Fiquei na altura com imensos quadros mas sem o espaço ou utilização para eles. E assim costumava queimá-los. E foi então que alguém me disse: "Porque estás a fazer isso? Já agora tenta exibi-los ou vendê-los para angariar fundos para a Fundação Rei Faisal". E foi exactamente isso o que fiz! Muito me admirei de haver quem mostrasse interesse pelas pinturas, e ainda mais que houvesse quem estivesse preparado para com elas gastar dinheiro. Comecei a fazer o mesmo com os meus poemas e récitas, usando-as para obter fundos para a Fundação Rei Faisal. E assim tenho feito desde então'.
A primeira exposição dos óleos e guaches do Príncipe Khalid Al-Faisal teve lugar em 1985 no Centro Al-Khozama em Riade. Os seus quadros são agora exclusivamente pintados a óleo e muitas vezes produzidos em série, o que frequentemente traz uma enorme actividade de pintura no seu atelier durante alguns dias, nos quais consegue pintar até cinco quadros em simultâneo. Contudo, estas sessões concentradas, que por vezes atingem seis horas de pintura furiosa, podem suceder entre períodos estéreis que podem durar até seis meses, uma vez que os seus deveres como Emir não lhe permitem tempo para pintar. Um quadro que tenha problemas e que não pode ser acabado em poucos dias, pode ter que esperar semanas no cavalete até que o problema possa ser resolvido. É agora extremamente raro que ele tenha a oportunidade para pintar ao ar livre nas serranias. Os tópicos das pinturas do Príncipe Khalid Al-Faisal tendem a ser aqueles que revelam as preferências do seu coração. Já produziu séries de pinturas que, por exemplo, vão desde imagens perturbadoras e comoventes da jihad palestiniana e o conflito dos muçulmanos do Afeganistão contra a invasão soviética, até a cenas heróicas e elegíacas inspiradas pelos grandes poetas árabes do passado. A exposição Pintura & Patrocínio inclui duas séries recentes de pinturas produzidas em 1999 e nos inícios de 2000: paisagens de Asir e as gentes de Tihama. Há também um par de retratos equestres do Rei Abdul Aziz e do Rei Faisal, os criadores da Arábia Saudita moderna, e dois quadros de falcões e abetardas que representam a antiga paixão do Príncipe Khalid Al-Faisal para o desporto de falcoaria e para a criação de aves de rapina.
As paisagens do Príncipe Khalid Al-Faisal abrangem a diversidade da natureza que existe em Asir. Pôr de Sol na Montanha 1 (Nº 3, à esquerda) apreende um panorama comovente aquando da sua transformação pelo sol em ocaso numa caldeira de cores escaldantes. Os cumes das montanhas transformam-se num mar de vagas alterosas, com as que estão em primeiro plano parcialmente evidenciadas em sombra. As cores dos óleos são misturadas directamente na tela dando à cena um forte imediatismo. 'Sei exactamente o efeito que pretendo quando começo um quadro', diz o Príncipe Khalid Al-Faisal, 'mas não é estável. Gosto da fluidez que me permite fazer alterações de acordo com que se passa na tela. Tento pintar o que penso e sinto sobre um local num momento exacto, e por vezes uso fotografias para auxiliar a memória. Tenho locais favoritos e vistas de Asir que estão guardados na minha mente. As minhas pinturas não se referem ao que parece lá estar mas ao que sinto ali. É como a minha poesia. Tem tudo a ver com uma reacção pessoal - uma ligação da mente ao coração. E nada me importa não ter sido formado academicamente como artista. É válida a arte de qualquer um que revele o seu ser interior.
Pôr de Sol na Montanha 2 (Nº.4), pintado ao mesmo tempo, é uma pintura também intensa, mas aqui as cores frias colidem com as quentes, e a tinta é misturada com mais liberalidade e varrida ao longo da tela. É uma pintura rica, que celebra tanto a profunda simplicidade da natureza e o drama extraordinário da comunhão da terra e do céu no final do dia. O Príncipe Khalid Al-Faisal não intitula os seus quadros de acordo com os locais que mostram, porque procura uma disposição poética mais do que uma representação. Com espontaneidade característica, outras impressões inspiradas por paisagens no topo das serranias exprimem uma variedade de sensações, cada uma das quais depende do estado em que se encontra o terreno, da época, da hora do dia, e do seu próprio estado emocional. No Terraços Verdes na Montanha (Nº.11, em cima à direita), uma falda a pique de uma montanha em socalcos ricos em culturas transforma-se num redemoinho de tinta. Faixas de cor sobre uma escarpa, o ensopado da terra após uma chuvada, e a luz cadente estão audaciosamente sugeridas no Crepúsculo nas Montanhas (Nº1). São usados impressionantes pontos luminosos no Crepúsculo nas Montanhas (Nº 2,à esquerda) para criar uma atmosfera duma paisagem no seu derradeiro momento: o floreado de um pincel com uma ponta de tinta branca para descrever uma estrada reluzente atravessando um planalto; e dois traços de tinta encarnada contra um fundo azul-escuro de montanhas distantes, para mostrar os últimos raios do sol roçando rochas proeminentes.
 Há uma percepção em pinturas tais como a Vista de um Vale na Montanha (Nº.5, à esquerda ), inspirada numa panorâmica em Al-Soudah, e Ondas na Montanha (Nº.12, à direita), que contem ondas de tinta no primeiro plano, que o processo de pintura foi urgente, como se o artista estivesse preocupado que a intensidade do sentimento se pudesse perder. A desordem profusa da natureza em Floresta em Al-Gurrah (Nº.6, à esquerda), e as cores fortes do vale coberto de árvores em Jabal Raidah (Nº.13, à direita), estão descritas pelo uso de pinceladas curtas e agitadas, que dão a impressão de uma paisagem a arder com cor e movimento. O nevoeiro e as neblinas que se movimentam nos vales de Asir, inspiraram pinturas nas quais fragmentos e névoas de cor são cuidadosamente aplicados. Em Al-Gurrah Terra de Sonhos (Nº.8, abaixo) e em Visão (Nº.7, em baixo à direita), a luz é filtrada através das neblinas que se afastam r evelando um mundo suave, como se fosse um sonho, trazendo uma calma à noite e à mente. Noite no Deserto (Nº.9, em baixo à esquerda) apreende a dureza da vida para os beduínos no deserto, as diferenças extremas de temperatura quando cai a noite, a veloz perda de cor quando a luz desaparece, e a estra nha atmosfera no limiar de uma tempestade de areia. Noite dos Pastores (Nº.10) transmite a beleza de uma cena pastoral que há muitos séculos se tem repetido em Asir: um pastor e uma criança com um rebanho de ovelhas ao por do sol. Os efeitos atmosféricos cuidadosamente representados nestes quadros revelam quão perspicaz são a visão do Príncipe Khalid Al-Faisal às tão velozes quanto regulares alterações que ocorrem tanto na luz como na cor. 'O que é tão emocionante, diz ele, 'é que a paisagem está sempre em mudança. Nunca se queda. É maravilhoso estar no campo e olhar para o céu e ser presenteado com um espectáculo permanente. As minhas pinturas paisagísticas tentam exprimir as maravilhas que sinto.
As pinturas do Príncipe Khalid Al-Faisal que retratam as gentes de Tihama, a zona de Asir entre as montanhas e o Mar Vermelho, celebram uma distinta mas pouco conhecida cultura. Vestidos com roupas e jóias coloridas, e usando chapéus de palmas entrançadas com abas largas ou em forma de pote, as figures dos quadros parecem à primeira vista ter saído de uma paisagem mexicana ou peruana, mais do que da Arábia Saudita. Muitos dos homens em Tihama ainda usam vestes tradicionais, incluindo saias, e enrolam as suas gutras como se fosse um turbante, à volta das cabeças sem usarem um agal. 'Tihama é para mim um local muito especial', refere o Príncipe Khalid Al-Faisal. 'Tivemos muito trabalho para desenvolver esta zona, que durante anos foi uma das mais atrasadas e prejudicadas do Reino. Quero que as gentes em Tihama, e também as de fora, reconheçam quão importante é Tihama'. Em Beleza de Asir (Nº.24, à direita), uma jovem mulher, trazendo um xaile multicolorido atado à roda da cintura, está de pé numa paisagem ventosa, com as mão agarradas às abas do seu chapéu esforçando-se para que não lhe voe. Vista de baixo, de forma a projectar-se contra o céu vivo e brilhante, aparece no topo de uma subida, fresca e cheia de vitalidade. A mulher parece personificar um futuro confiante para as gentes de Tihama e sua cultura. No cuidadosamente composto e colorido A ncião de Tihama (Nº.20, à esquerda), o Príncipe Khalid Al-Faisal pôs em evidência um homem idoso sentado no solo de pernas cruzadas, com o seu agasalho colocado à roda das pernas de forma a sentir-se mais confortável, e com as mãos juntas em frente à boca. A sua cabeça está sobressaída contra o amarelo brilhante da luz do sol. Tem os olhos entreabertos e está ocupado com os seus próprios pensamentos. 'O quadro reflecte a antiguidade e o eterno', explica o Príncipe Khalid Al-Faisal. 'É todo sobre a dignidade e a sabedoria do indivíduo, a necessidade de descanso e da contemplação, e demonstra o que temos de precioso.
Em 1982, o Príncipe Khalid Al-Faisal instituiu o Centro Al-Faisal para Falcões em Al-Soudah, nas montanhas para oeste de Abha. O primeiro no género na Arábia Saudita, o Centro começou com apenas quarto pássaros que eventualmente chegaram a 120. Embora a caça com falcões tenha lugar no deserto, as montanhas são o ambiente perfeito para a sua criação e crescimento. Embora o Centro tenha fechado quando o Príncipe Khalid Al-Faisal deixou de caçar há alguns anos, ele ainda adora pintar cenas de caça, usando fotografias que tirou dos seus falcões em voo e no momento do ataque, e também no seu enorme conhecimento sobre falcões, os seus hábitos e as suas presas. Em Falcoaria (Nº.16), um dos falcões do Príncipe Khalid Al-Faisal arremete sobre um bando de abetardas no deserto. As abetardas salta m e exibem-se para evitar o ataque, com as suas penas brancas e pretas brilhando em contraste com a cor ocre do solo. Cada uma mantém o falcão na sua vista enfrentando-o. A pintura imobiliza um momento decisivo quando o falcão estuda as suas opções, tentando identificar o pássaro mais fraco. Contudo não é apenas o dramatismo da caça que interessa ao artista. Em Satisfação das Abetardas (Nº.15, à direita), representa as características da abetarda, sua textura e cores, sua pose e forma de movimento.
Nas suas pinturas do Rei Abdul Aziz e do Rei Faisal, o Príncipe Khalid Al-Faisal solta o lado romântico e cavalheiresco da sua natureza. O seu Avô, Rei Abdul Aziz, profundamente religioso, reconhecido estratega militar e brilhante diplomata, é descrito como o criador e campeão da Arábia Saudita e pilar do Islão (Nº.25, à esquerda). Um herói valioso montado num cavalo empinado, emerge como uma visão dinâmica das cores flamejantes do solo. Ele e o seu cavalo estão emoldurados no sol nascente, simbolizando um renascimento e a aurora de uma nova era. O quadro paralelo do Rei Faisal (Nº.26, à direita), descreve uma figura igualmente heróica numa pose semelhante, embora, em vez do sol como fundo, tem uma luz fria e prateada começando na cimeira da esquerda, que atravessa o calor, pó e fumo com matizados brancos cintilando através do quadro. O lampejo da espada, as vestes brancas e os cascos brancos do cavalo em face das cores flamejantes realçam o contraste da palete quente e fria, enquanto que o selim verde faz uma referência de cor à grande bandeira nacional na mão do Rei Abdul Aziz. Para o Príncipe Khalid Al-Faisal, as duas pinturas, com o seu simbolismo severo e cores brilhantes, têm uma presença e um significado sagrados. E diz: 'Sem compreenderem o nosso passado e de onde viemos, não temos lugar no futuro'.

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